Primeiro de junho
Colapso. Estopim. Ruptura. Derrame.
O dia aspirava melhoras, renovo, festival de cinema, gente, rua. A vontade estrangulante de mudança, mesmo tão pífia quanto. O dia que prometeu levianamente tudo isso foi vencido por uma busca crescente, irritante, um tanto quanto desvairada, e por fim, ineficaz. Essa busca ínfima e incapacitante resultou enfim no colapso medíocre, mas necessário, na ruptura das armaduras bem forjadas e acomodadas pelo tempo; causando o derrame de sentimentos e pensamentos, sensações e planejamentos, represados outrora.
Aquilo tudo que suspeitamos/sabemos mas não refletimos propriamente, por covardia, medo de sofrer. Somos tolos pois sofrer é inevitável, é da natureza do viver, dor é a prova de estarmos vivos, entretanto, a vida é construída de inúmeras outras provas, facetas.
É tão ruim e dolorido saber que você está sozinho, a solidão é incapacitante. É decepcionante ter tanto pra dar e falar, e ao mesmo tempo receber nada, não ser amado, não ser acolhido. Torna-se impossível pra mim demonstrar tudo que poderia demonstrar quando me sinto tão desamparada e insegura. Mas é claro que não tem ninguém comigo.
Sentir-se tão vazia, mas desesperada por acreditar que dentro de mim há mais que suficiente poder pra fazer tudo que preciso, conquistar tudo que quero, é humilhante e deturpante. Me sinto cada vez mais cinza como as ruas de São Paulo depois de Dória.
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